Museu para um novo Século - FAUUSP

São Paulo, SP, 2008, Teóricos

Este não pode ser um edifício qualquer, pois abrigará o Museu de Arte Contemporânea da região metropolitana mais importante do país, daí a necessidade de ser um edifício com forte vocação simbólica. Nossa preocupação inicial foi com o estudo do terreno, muito generoso, porém com conturbadas relações com o entorno. Para a minimização dos impactos de uma estrutura que será o motor para a renovação de toda a região, foi considerado como objetivo prioritário a resolução dos problemas de fluxos de automóveis e pedestres e suas conexões.

O edifício foi implantado ao fundo do terreno, em relação à Rua Augusta, isto permitiu a criação de um grande boulevard de pedestres que liga a Rua Caio Prado a Rua Marquês de Paranaguá, acompanhando o volume do museu, que segue este eixo paralelamente. Esta implantação contempla a possível fusão deste equipamento com a Escola existente projetada pelo arquiteto Rino Levi, hoje em processo de restauração. O segundo ponto para a minimização de impactos na trama existente foi a construção de um estacionamento que permitisse a entrada e saída de automóveis, tanto pela Rua Caio Prado, como pela Rua Marquês de Paranaguá, gerando opções de saída ao usuário de maneira a não criar gargalos ou estrangulamentos no sistema viário do entorno. Finalmente, pelo grande poder de atração do equipamento, foi prevista a construção de uma passarela de pedestres e ciclistas conectando diretamente e em nível, o Museu, a Praça Roosevelt e a Rua Augusta, esta passarela por sua vez converge para uma grande praça coberta que faz o acesso aos diferentes espaços do Museu, expandindo suas conexões com a cidade e oferecendo múltiplas portas de acesso ao usuário.

Neste sentido, o nosso projeto procurou assegurar a permeabilidade do tecido urbano, conferindo flexibilidade no uso dos espaços públicos e privados, criando grandes esplanadas de contemplação e acomodação dos fluxos do entorno, acentuando e valorizando as visuais da cidade e fundindo um local de difusão de conhecimento com o tecido da cidade, de forma progressiva e sistêmica.

A concepção de um Museu de arte Contemporânea abrigado em um único edifício de aporte metropolitano, implantado ao norte do terreno e na cota mais alta, onde sua volumetria sóbria somente é rompida por um rasgo que configura a praça coberta que, por sua vez, está ligada a um bosque orientado por uma grelha imaginária, colonizada por esculturas de acesso público e gratuito até a margem da Rua Augusta, e arrematado por um espelho d’água, nos permite verificar que quando integrados, estes elementos acabam conferindo um caráter monumental ao conjunto e estabelecem uma espécie de hierarquia de fusão da conturbada trama urbana envoltória ao Museu e, por conseqüência, à Arte e à Cultura.

O bloco principal abriga a recepção, as lojas a cafeteria, o acesso à administração e, principalmente, concentra as atividades expositivas, em duas grandes áreas dispostas em dois pavimentos, ligadas por elevadores, escadas e rampas.  Dispõem de espaços muito flexíveis e mutantes, concebidos de forma que possam mudar de posição de acordo com a necessidade das exposições, assim, além da planta livre, temos o corte livre.

O segundo bloco abriga as atividades de difusão, com as salas de aula, laboratórios e auditórios. Neste bloco temos uma espécie de espaço intersticial, entre os auditórios e o estacionamento, funciona como uma área de contemplação da natureza, da cidade e do sistema, pois ao norte temos a Escola do Rino Levi, ao sul o Bosque e a leste, como uma espécie de espelho virtual, está implantando um grande telão, que reflete não apenas a morfologia urbana, mas os atos de seu principal agente, o homem.

Nos diversos níveis de subsolos encontramos os estacionamentos, os espaços administrativos, a reserva técnica, apoio à exposição e os serviços e equipamentos necessários ao funcionamento do Museu, está concebido de maneira que permita que funcione de forma autônoma junto com os auditórios e ao restaurante, em relação ao restante do museu, conferindo maior flexibilidade de uso ao complexo.

Ficha Técnica

Local

São Paulo

Data

2008

Arquitetura

José Maria de Macedo Filho