Sede da Confederação Nacional dos Municípios

Brasília, DF, 2010, Institucionais
Men√ß√£o Honrosa Concurso P√ļblico Nacional Sede da Confedera√ß√£o Nacional dos Munic√≠pios IAB/DF, 2010

"Enquanto satisfaz apenas √†s exig√™ncias t√©cnicas e funcionais ‚Äď n√£o √© ainda arquitetura; quando se perde em inten√ß√Ķes meramente decorativas ‚Äď tudo n√£o passa de cenografia; mas quando - popular ou erudita ‚Äď aquele que a ideou, p√°ra e hesita, ante a simples escolha de um espa√ßamento de pilar ou da rela√ß√£o entre a altura e largura de um v√£o, e se det√©m na procura obstinada da justa medida entre cheios e vazios, na fixa√ß√£o dos volumes e subordina√ß√£o deles a uma lei, e se demora atento ao jogo dos materiais e seu valor expressivo ‚Äď quando tudo isso se vai pouco a pouco somando, obedecendo aos mais severos preceitos t√©cnicos e funcionais, mas tamb√©m, √†quela inten√ß√£o superior que seleciona, coordena e orienta em determinado sentido toda essa massa confusa e contradit√≥ria de detalhes, transmitindo assim ao conjunto, ritmo, express√£o, unidade e clareza ‚Äď o que confere √† obra o seu car√°ter de perman√™ncia [...]"
Lucio Costa

O Edif√≠cio da Confedera√ß√£o Nacional dos Munic√≠pios deve ser visto como um elemento simb√≥lico, catalizador e difusor de nossa identidade cultural, um verdadeiro abrigo que acolhe e representa cada munic√≠pio do nosso pa√≠s. O partido arquitet√īnico deste projeto segue este roteiro.

A id√©ia de abrigo est√° materializada por uma laje, pe√ßa estrutural que penetra no terreno ao n√≠vel da rua e organiza toda a distribui√ß√£o do edif√≠cio, orientando o programa no sentido vertical, para cima ou para baixo da laje, permitindo que este funcione em duas frentes distintas e aut√īnomas.

A partir de duas aberturas nesta pe√ßa, criamos um p√°tio descoberto que conecta a "caixa-m√£e" superior (escrit√≥rios) aos n√≠veis inferiores (audit√≥rio e conven√ß√Ķes), servidos por escadas e elevadores. Ao t√©rmino desta laje, depois da abertura do jardim, encontramos o port-cochere, invertido, nos fundos, cujo objetivo √© manter a pra√ßa c√≠vica imaculada.

A pra√ßa c√≠vica, portanto, √© a porta de entrada da Confedera√ß√£o Nacional dos Munic√≠pios, ladeada pelo espelho d'√°gua que reflete o mural das bandeiras, encontramos generoso espa√ßo aberto, ora coberto, ora descoberto, abriga exposi√ß√Ķes tempor√°rias, faz a interface refor√ßando a continuidade da rua e da superquadra com o edif√≠cio, transi√ß√£o sutil, flu√≠da e progressiva aos moldes de nossa tradi√ß√£o arquitet√īnica. Junto ao mural das bandeiras, na inflex√£o da cortina de vidro, est√° posicionado um painel de LED com 60m.

Orientado no sentido leste oeste, o terreno sugere que o edif√≠cio deve abrir para a frente, para o meio e para o fundo do terreno, deixando as laterais cegas, este partido exigiu cuidados com as aberturas dos escrit√≥rios devido √† grande insola√ß√£o. A conseq√ľ√™ncia foi a implanta√ß√£o de brises mecanizados junto √†s cortinas de vidro das faces leste do edif√≠cio. Na frente oeste, junto ao por do sol, foi pensado um grande mural de bandeiras serigrafado na cortina de vidro, onde cada "pixel" representa uma bandeira de um munic√≠pio, este conjunto revela as cores do Brasil e sua diversidade, funciona como uma grande prote√ß√£o e substitui a id√©ia das bandeiras suportadas por mastros individuais. Aqui √© a "caixa-m√£e", √© o edif√≠cio da Confedera√ß√£o Nacional dos Munic√≠pios que ap√≥ia nossa p√°tria, a "caixa-m√£e" √© uma met√°fora da pr√≥pria cidade de Bras√≠lia.

O volume superior est√° dividido em dois blocos conectados por meio de escadas e elevadores e por meio de rampas que vencem meios n√≠veis. Na por√ß√£o posterior encontramos as √°reas administrativas e a presid√™ncia, que est√£o posicionadas estrategicamente, de modo vigilante, com boa visualiza√ß√£o da pra√ßa c√≠vica e do p√°tio descoberto, aos fundos √© poss√≠vel ver o port-cochere e a copa das √°rvores. A biblioteca, as salas de reuni√Ķes, as salas de capacita√ß√£o, as representa√ß√Ķes estaduais, a governan√ßa eletr√īnica e √°reas t√©cnicas est√£o localizadas no bloco frontal.

Na cobertura tamb√©m interligada pelas rampas, foram posicionadas as √°reas recreativas com refeit√≥rio, sala de descanso e terra√ßo jardim junto ao teto verde, sendo que o n√≠vel mais alto do edif√≠cio foi destinado a um grande painel fotovoltaico de capta√ß√£o de energia solar com cerca de 400m Abaixo da grande laje e ajustado ao desn√≠vel do terreno encontramos o port-cochere, a recep√ß√£o, as √°reas de exposi√ß√£o, o foyer do audit√≥rio, e um vazio que relaciona este n√≠vel com a √°rea de conven√ß√Ķes abaixo. O audit√≥rio disp√Ķe de um sistema de pratic√°veis, onde palco e plat√©ia s√£o m√≥veis e viabilizam a sua divis√£o em duas partes, configurando um teatro grande, ou dois audit√≥rios menores, inclusive um deles com caracter√≠stica de arena.

Os subsolos s√£o destinados as √°reas t√©cnicas, dep√≥sitos, almoxarifados, arquivo morto, m√°quinas, cisternas e estacionamentos, s√£o ventilados diretamente pelo vazio do jardim e pelos recuos da estrutura dos limites do terreno, o acesso √© feito atrav√©s de rampas que assim como as rampas superiores, vencem meios n√≠veis. Este setor est√° concebido de maneira que permita que funcione de forma aut√īnoma junto com as conven√ß√Ķes, em rela√ß√£o ao restante do conjunto, conferindo maior flexibilidade de uso ao complexo.

Ficha Técnica

Projeto

Sede da Confederação Nacional dos Municípios

Local

Brasília, DF

Data

2010

√Ārea

5000,00 m²

Arquitetura

 Apoena Amaral, Christiane Costa Ferreira, Edgar Gonçalves Dente e José Maria de Macedo Filho

ColaboradoresDenis Ferri, Dhiego Torrano, Thais Brandt e Vito Macchione